9.30.2007

Convento dominicano em Viseu/construção

Memoria descritiva

Conceito construtivo

Penso em construção e arquitectura, como duas disciplinas que se interligam mutuamente. Em que uma necessita do conceito da outra e a outra da tectónica, elemento chave na materialização da arquitectura.
O projecto expressa através da sua massa, em betão armado, e da sua disposição volumétrica interior um entendimento imediato da sua lógica construtiva, baseada na proporção, ritmo e repetição.
a construção faz uso das valências , materiais e tecnológicas locais, incorporando-os no conceito particular e enraizado para ser global. Momentos de precisão a serem expostos, porque todo o projecto " tem o dever de ser preciso".
Arquitectura da simplicidade, densidade, silencio.
Arquitectura convencional, buscando raízes históricas de materiais, construtivos puros em oposição a novidade momentânea requer precisão para não cair na vulgaridade.
o projecto de construção integra "in situ" com construção "seca" por forma a que a montagem e desmontagem de elementos ao nível da madeira e aço, seja possível. O edifício, uma estrutura de lajes maciças, suportada por paramentos verticais de alvenaria de betão, com o objectivo de dar textura exterior a esses paramentos, opta-se por deixar o betão á vista em que se apresenta a textura do material, que lhe serviu de cofragem, tirando partido, dessa textura rude mas precisa, dando um aspecto pesado ao edifício, pelo exterior. Ao qual o tempo se encarregará de o tornar belo. Recordando-nos La Tourete, porque se trata de um convento e este exemplar é um "clássico " da arquitectura moderna. A face brutalista do exterior, porque se quer um ambiente de reclusão e de simplicidade, construindo um edifício simples e banal, tirando todo o proveito das suas capacidades construtivas. Onde Predomina a simplicidade e o recurso a materiais correntes, no nosso quotidiano e pouco utilizados na construção de edifícios, como uma simples roda de contentor do lixo, aplicada na porta de entrada, o aproveitamento da madeira da cofragem para revestir a porta, o uso excessivo de perfis e cantoneiras I, L, T, nos remates e nas estruturas que se querem duradouras. O vidro sempre disposto em caixilharias o mais simples e eficaz possível, porque se querem de fácil manutenção. Já o interior do edifício, uma caixa revestida a madeira, confere um ambiente de calma e aconchego, a madeira a utilizar é o pinho nacional devidamente tratado, envernizado por forma a obter uma superfície muito clara, e dourada, todos as superfícies são revestidas a madeira desde as escadas ao tecto passando pela rampa. A excepção é feita nos sanitários, aqui as superfícies também elas brilham, devido a utilização de aço inox em todos os paramentos, que depois de executadas e de se introduzir nelas toda a tubagem necessária, a superfície reflectora destas paredes confere uma superfície uniforme a toda a caixa de WC, reflectindo os movimentos interiores. Estas paredes vão ser cravadas com parafusos, nos encontros, recordando-nos a blindagem num carro de combate Os materiais e o respeito pelos mesmos, é o objectivo, dai o recurso a tábuas de madeira maciça, que pela sua espessura, em conjunto com o isolamento, pretendem resolver os problemas de térmica e acústica provocados pela fachada simples de betão. A madeira nos encontros, é ensamblada, por dentes em respiga tendo a outra peça a mecha como negativo tornando os dois encontros mais sólidos, e conferindo-lhe um acabamento mais rico e variado tirando partido dos nos e textura da própria madeira.